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NOTÍCIAS

03/10/2019

Espaço Cultural Carlos José Michelon denominará prédio construído no Parque de Eventos

A homenagem é de autoria do vereador Glaucio Luiz Brochetto.

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O projeto de lei nº 14 de 17 de setembro de 2019, denominará o prédio construído no Parque de Eventos Prefeito Albino Antônio Ruaro de Espaço Cultural Carlos José Michelon.

Esta obra foi realizada devido à necessidade de diversas entidades em poder usufruir de um espaço no Parque de Eventos para realizar suas atividades, principalmente após a demolição do Galpão Crioulo Carlos José Michelon, ocorrida em 2013 para a construção do novo Centro de Eventos.

O nome “Espaço Cultural Carlos José Michelon” já vem sendo utilizado pelo poder Executivo para denominar o local, mantendo o mesmo nome dado ao Galpão anteriormente existente no Parque. Desta forma o projeto, aprovado, visou oficializar tal denominação, registrando-a por meio de lei.

Confira a biografia do homenageado:

Carlos José Michelon nasceu em 23 de junho de 1913, filho de Pietro Michelon e Maria Guerra. O casal teve 18 filhos, destes apenas 13 viveram e formaram família.

Com apenas 13 anos, Carlos já trabalhava com o pai e os irmãos mais velhos, ele ajudava a conduzir uma tropa de 14 mulas com cargueiros.

Carlos desde jovem já demonstrava espírito empreendedor, insatisfeito e muito impetuoso, resolveu investir em uma pequena carreta puxada apenas por duas mulas. Embora menino ainda, não tinha receio de percorrer enorme distância entre São Marcos e Caxias do Sul, o que demorava em média três dias entre ida e volta em terreno montanhoso de grande perigo. Com o passar do tempo investiu em uma carreta maior.

Foi como carreteiro que Carlos José Michelon conheceu Gelsemina Chinelatto. Carlos e Gelsemina casaram-se no dia 27 de abril de 1935. O casamento foi celebrado pelo Monsenhor Henrique Compagnoni. Carlos e Gelsemina constituíram família: Lauro Francisco, Ladair Pedro, José Dorneles, Linda Maria e João Carlos (falecido quando criança).

Quando Carlos não estava a viajar com a carreta, estava na roça, como todo agricultor da região, com as dificuldades eram grandes, havia necessidade de plantar muito milho e trigo. Foi em um dia de trabalho que Henrique Pante propôs a compra de um caminhão.

Foi então que decidiu vender sua carreta e os oito animais e em novembro de 1937 investiu, com os sócios Olympio Bertelli e Henrique Pante, na compra de um Internacional D30, o primeiro caminhão com reboque para carga da cidade de São Marcos.

Os negócios seguiam e Carlos vende o D30 por volta 1942 e adquiri um modelo Ford 39. Na sequência adquire também um Ford 46. Com esse vai e vem de mercadorias Carlos obteve bons lucros e comprou, em 1948 um Studebaker novo.

Já há tanto tempo na estrada resolveu abrir um comércio e, em 18 de dezembro de 1949 volta a morar no Bairro Michelon e monta a Casa de Secos e Molhados Carlos Michelon & Filhos. Ele sabia, além de ser bom agricultor e motorista, ser excelente comerciante.  

Por volta de 1951 Carlos resolveu vender o Studebaker e adquiriu um Dodge F8. Logo foi preciso outro caminhão, um Alfa Romeu 54. Passaram a percorrer longas distâncias e se tornaram distribuidores da famosa – mas já extinta - revista O Cruzeiro.

Em atitude de pioneirismo, Carlos José Michelon compra o primeiro caminhão Scania fabricado no Brasil, em 15 de junho de 1960 da Scania Vabis, nota fiscal de número um. Em 1967 adquirem a primeira câmara frigorífica da empresa. Os filhos trabalhavam com os caminhões e Carlos José Michelon seguia cuidando do armazém.

Durante seis longos anos os trabalhos seguiam e os negócios crescendo. Por volta de 1º de abril de 1966 a família separa a contabilidade do armazém dos negócios com os caminhões. O que havia iniciado com o velho D30, no final do século XX e início do século XXI, contava com aproximadamente 500 cavalos mecânicos ,750 carretas e em torno de 3000 funcionários.

Carlos José Michelon, o Tio Carlo, como todos o conheciam, liderou o grupo para construção de uma Usina no Arroio Cafundó, na década de 50. Essa Usina levava luz para o Bairro Michelon. Neste mesmo bairro Carlos doou metade do terreno onde hoje existe a Capela São Cristóvão. Fez parte da comissão que tratou dos trâmites legais para emancipação do município de São Marcos que culminou com a criação do município com a Lei nº 4.576, de nove de outubro de 1963.

Em 19 de janeiro de 1964, realizaram-se as primeiras eleições para elegerem o prefeito, vice-prefeito e Câmara de vereadores. Carlos Michelon é eleito o primeiro vice-prefeito de São Marcos com 1.092 votos, tendo sido eleito prefeito Manoel Ramos de Castilhos com 1.171 votos.

Carlos Michelon foi Presidente do Clube Grêmio Americano em 1968, tendo como vice-presidente seu filho Lauro. Liderou também a transformação da Escola Municipal do Bairro Michelon em Escola Estadual, colaborando para a construção da nova escola.

Carlos José Michelon foi um grande tradicionalista. Teve uma enorme contribuição para com a difusão do tradicionalismo em São Marcos/RS. Era homem de cultivar as tradições italianas e gaúchas, participava e contribuía em todos os eventos do município e região.

Na década de 70, em um dos Rodeios do Tropeiro do Rio Grande, Caxias do Sul/RS, que era comandado pelo patrão Abelino Cardoso, Carlos e Lauro patrocinaram a vinda de Ginetes do Uruguai.

Em 1975 organizou a Cavalgada da 1ª Festa da Ameixa e seguia participante ativo das cavalgadas pela região.

Patrocinou a vinda das Cavalhadas em 1983 na Criúva – Caxias do Sul/RS e posteriormente no Rodeio de São Marcos em 1984.

Era grande incentivador do Terno de Reis e das Festas do Divino Espírito Santo.

Em 1967 fez parte da comissão para a construção do Centro de Tradições Gaúchas Porteira da Serra, tendo sido capataz nos anos de 1971/ 72, estando sempre preocupado com a preservação das raízes do povo.

O armazém de Carlos sempre foi ponto de encontro e reunião da gauchada. Na parte inferior de sua casa, que a gauchada costumavam chamar de “Galpão do Tio Carlo”, aconteciam as reuniões para tratar dos mais variados assuntos, entre eles os torneios de laço. Foi Patrão de Honra do Piquete de Laçadores Potreiro da Serra e doou toda a madeira necessária para a construção da Cancha de Laço Ricieri Bertolazzi e a armada inaugural de cancha ficou a cargo de Carlos José Michelon, no dia 8 de março de 1980.

Um dos maiores incentivadores do primeiro Rodeio de São Marcos em 1981, bem como um dos maiores doadores de gado para laçar no rodeio e nos Torneios de laço pela região. Carlos apoiava, incentivava e acreditava no potencial de cada um. Esse era o grande diferencial! 

Carlos faleceu em 20 de maio de 1989, aos 75 anos de idade. 

As informações foram fornecidas pela Professora e pesquisadora Andréia Taiza Sandri Machado.

 

Fotos: Acervo Família Michelon e Divulgação Prefeitura de São Marcos

Assessoria de Imprensa,

Juliane Spigolon | MTB 19770