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27/04/2021

Praça Dante Marcucci contará com Obelisco em homenagem ao General Geraldo Miotto

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O Projeto de Lei nº 13/2021, aprovado pelos vereadores na Sessão Ordinária desta segunda-feira (26), autoriza o recebimento de um Obelisco em homenagem ao General Geraldo Antonio Miotto, a título de doação.

Um grupo de amigos e admiradores, decidiram por eternizar uma homenagem ao ilustre cidadão são-marquense, o General de Exército, através da criação de um monumento estilo “Obelisco”, junto ao Blindado em homenagem aos Heroicos Pracinhas da FEB de São Marcos e que já se encontra instalado na praça Dante Marcucci, fomando um espaço para eventos cívico-militares.

O termo "Obelisco" vem do latim obeliscos e do grego ὀβελίσκος, que significa "pilar", "apontar", “espeto”. Sua origem é no antigo Egito e data de 2.000 a.C

O formato desse monumento arquitetônico se assemelha a um raio de sol petrificado, motivo pelo qual o obelisco é o símbolo do deus do sol que, na mitologia, era o responsável pela criação de tudo o que existe, inclusive os seres humanos.

Este monumento comemorativo é constituído por um pilar vertical de pedra em forma quadrangular alongada e sutil, que se afunila ligeiramente em direção a sua parte mais alta, terminado com uma ponta piramidal, tudo assentado sobre uma base.

Além de representar o primeiro raio de sol, também representa a proteção e defesa para a cidade e seus habitantes, pois se acreditava que a agulha de pedra tinha a função de perfurar as nuvens e dispersar as forças negativas que sempre ameaçavam acumular-se, na forma de tempestades visíveis ou invisíveis.

As inscrições e gravações presentes nos quatro lados, exaltam a vida e as glórias de importantes cidadãos são-marquenses, eternizando sua memória. Segundo a mística, caso essas inscrições sejam apagadas, a história se perderá.

“Nossos heróis jamais serão esquecidos...”

No dia 19 já iniciaram as obras para a construção do obelisco. As obras no local são uma parceria entre o poder público e o Exército Brasileiro, e com apoio financeiro de empresas, amigos e familiares do General. Além do obelisco haverá ainda uma reformulação do paisagismo e iluminação.

Confira a biografia do General:

Gerlado Antônio Miotto, gaúcho da serra, nasceu em 20 de março de 1955 foi criado em São Marcos. Com muito orgulho contava que foi estudante de Escola Pública e que, trabalhando de frentista num posto de gasolina, com muito esforço, após três tentativas, conseguiu ser aprovado, em antepenúltimo lugar, no concurso nacional da Escola Preparatória de Cadetes. Em 28 de fevereiro de 1972, tinha início a carreira militar.

Em 14 de dezembro de 1978, na Academia Militar das Agulhas Negras, fruto dos próprios méritos, concluiu em 1º Lugar o curso de Cavalaria e foi declarado Aspirante-a-Oficial do Exército Brasileiro.

Como Oficial Superior, comandou o 16º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, à época na cidade de Passo Fundo/RS, e o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Porto Alegre (CPOR/PA).

Promovido a Oficial-General, exerceu inúmeras funções de destaque, como Comandante da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada (Pelotas), Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste (Rio de Janeiro), Comandante da 3ª Divisão de Exército (Santa Maria), Secretário Executivo do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (Brasília) e Vice-Chefe do Departamento-Geral do Pessoal (Brasília).

Em 2016, como coroamento da sua brilhante carreira, foi promovido, por unanimidade, ao último posto da hierarquia militar, General de Exército, passando a integrar o Alto-Comando do Exército, sendo designado para ser o Comandante Militar da Amazônia (Manaus) e depois Comandante Militar do Sul (Porto Alegre).

Em 30 de abril de 2020, após mais de 48 anos de excelentes serviços prestados ao Exército Nacional e ao Brasil, encerrou sua carreira militar, despedindo-se do serviço ativo.

Sua carreira militar não foi um mero emprego, mas sim uma vocação. Durante todos os anos de caserna, a família aprendeu a conviver com as constantes ausências do marido e do pai, pois, o quartel lhe cobrava disponibilidade permanente: “24 horas por dia, 7 dias por semana”. Apesar disso, a família sempre foi a principal preocupação. Não só a família dele, mas a de todos os seus subordinados. Não media esforços para ajudar a todos. Procurava receber e ouvir a todos, independente, se era soldado ou alta autoridade.

O tempo irá passar, mas os registros de seus procedimentos permanecerão eternizados para toda uma geração, de norte a sul, que viram nas atitudes do General Miotto um digno e diferenciado Comandante. A unanimidade que ele possui em todos os setores do Exército Brasileiro é fato incontestável que se caracteriza pelo exercício diário do sagrado juramento de respeitar os superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de arma e com bondade os subordinados.

Não só os militares, mas também os familiares, os amigos e os admiradores que ele alistou nos quatro cantos do Brasil e até no exterior, são testemunhas de tudo que o ele fez em diversos Comandos que lhe foram confiados.

O General Miotto foi um homem de virtudes e de valores exacerbados, tornando-se uma lenda na Força Terrestre onde cultivou a humildade e comungou com a simplicidade das coisas sem nunca esquecer o valor fraterno do ser humano que estava servindo à Pátria brasileira. No Exército Nacional, foi impregnado com virtudes e valores de “homens e mulheres do bem” que moldaram seu caráter com patriotismo, civismo, espírito de corpo, coragem moral e amor à profissão e acolheu em sua alma a disciplina, que, junto com a hierarquia, emolduraram a sua carreira.

O Gaúcho Miotto, jamais esqueceu-se de suas raízes. Levou consigo, por todas as querências por onde andou, as tradições do sul. Em seus gabinetes, não faltava a cuia de chimarrão. Na semana farroupilha, fazia questão de comparecer no costelão sempre pilchado. Nas visitas, onde quer que estivesse, se a Banda tocasse “Gritos de Liberdade”, ele parava e fazia questão de cantar junto. Chegou até a colocar uma placa em homenagem ao Grêmio, seu time do coração, lá na Antártica.

O cidadão Miotto, procurou pautar todas as suas ações pela legalidade e pelo bem do Brasil e do povo. Dizia que sua contribuição era ser um Soldado empenhado em cumprir com o juramento de “dedicar-se inteiramente ao Serviço da Pátria” prestando apoio à população através das mais diferentes operações do Exército Brasileiro e unindo os mais diferentes órgãos em busca de um objetivo comum: o bem da população.

Uma de suas últimas ações na ativa e que mais lhe dava orgulho, foi a duplicação da BR 116. No início de seu Comando no CMS, em uma viagem de rotina aos quartéis de Pelotas, no retorno para Porto Alegre, pediu para parar a viatura na beira da estrada, vendo aquela obra parada, ele pensou: o Exército tem um Batalhão de Engenharia em Lajes, muito qualificado, então porque nós (o Exército) não assumimos esta obra? Com a autorização do Comandante do Exército, iniciou as tratativas com o DNIT e o Ministério da Infraestrutura.  Hoje, com trechos já entregues, todos afirmam que, não fosse por seu empenho pessoal, a duplicação não teria andado e muitas vidas não teriam sido salvas.

 Por esses relatos, e muitos outros mais, o General Miotto é considerado um dos grandes líderes do Exército na história recente, sendo admirado e elogiado por todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo, tanto militares como civis, extrapolando inclusive os muros dos quartéis. Um pequeno exemplo da consciência que ele tinha de que servia de “espelho” para os mais jovens, é o fato de sempre que tinha a oportunidade de se dirigir a eles, o fazia concitando-os a não abandonar o país e ter confiança no Brasil e também fazia questão de dizer a todos: “... vale a pena ser honesto, vale a pena trabalhar, vale a ter mérito nas coisas, vale a pena estudar, vale a pena respeitar a família, o pai, a namorada, a esposa, os filhos, os subordinados, vale a pena ter uma família, vale a pena ser companheiro, vale a pena não usar drogas, vale a pena não ser corrupto...”.

A passagem do General Miotto pela vida terrena tinha a clara missão de fazer o bem sem olhar a quem e o trecho final de suas palavras de despedida refletem bem a sua grandeza de espírito:

“Pedi a Deus força e vigor, e... Deus me mandou dificuldades para me fazer forte.

Pedi sabedoria, e... Deus me mandou problemas para resolver.

Pedi prosperidade, e ... Deus me deu energia para trabalhar.

Pedi coragem, e... Deus me mandou situações perigosas e difíceis para superar.

Pedi tranquilidade, e... Deus me proporcionou cenários incertos para labutar.

Pedi favores, e.. Deus me mandou oportunidades.

Não recebi nada do que pedi.

Mas, recebi de Deus tudo o que precisei:

Serenidade, Amizade, Cooperação, Companheirismo, Paz, Luz e Proteção.”

O General Geraldo Miotto  faleceu em janeiro deste ano devido as consequências da COVID-19.



Fonte: Assessoria de Imprensa

Juliane Spigolon | MTB 19770